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Perguntas Frequentes

O câncer pode se espalhar por diferentes mecanismos. Os “caminhos” de progressão da doença são chamados de “vias de disseminação” e recebem nomes específicos segundo a maneira como ocorrem.

Na disseminação por continuidade, o tumor invade diretamente os órgãos e estruturas contínuas ao órgão sede do tumor primário. Por exemplo, quando um tumor primário do reto cresce e invade o ânus, ocorre disseminação por continuidade, pois o reto e o ânus são órgãos contínuos, que se comunicam internamente.

Na disseminação por contigüidade, a invasão por progressão local ocorre em direção aos órgãos e estruturas contíguas ao órgão sede do tumor primário. No exemplo do câncer do reto, a invasão da vagina, na mulher, ou da próstata, no homem, são exemplos de disseminação por contigüidade. Estes órgãos não se comunicam internamente, mas estão em contato pela superfície externa.

Na disseminação por via linfática, conjuntos de células tumorais alcançam os capilares linfáticos (pequenos vasos que conduzem linfa) dentro do tumor e migram por esses canais alcançando os gânglios da região. Seguindo esse caminho, podem progredir e comprometer gânglios mais distantes do local de origem. No exemplo do câncer de reto, nas fases iniciais de progressão pode-se verificar a presença de células de tumor nos canais linfáticos dentro do tumor, sem que haja comprometimento dos gânglios. Com a progressão da doença, as células atingem os gânglios ao redor do reto e posteriormente podem migrar para gânglios distantes, em direção à origem dos vasos sangüíneos responsáveis pela irrigação do órgão. Em fase ainda mais avançada, pode-se verificar a presença de células de tumor em gânglios bem distantes do local de origem.

Na disseminação por via sangüínea (hematogênica), conjuntos de células de tumor atingem pequenas veias dentro do tumor e posteriormente ganham a corrente sangüínea alcançando a circulação. No processo de transformação de uma célula normal em uma célula tumoral, as células sofrem alterações que dão a elas a capacidade de ultrapassar a membrana interna dos vasos sangüíneos à distância do tumor, saindo da circulação e dando origem a um foco de tumor com células filhas que, ao multiplicarem darão origem a nódulos de células tumorais, chamados de metástase. No exemplo do câncer de reto, conjuntos de células tumorais atingem pequenas veias dentro do tumor, passam para a corrente sangüínea, passam novamente para os pequenos vasos de órgãos distantes do tumor (mais freqüentemente no fígado) e ao saírem dos pequenos vasos desenvolvem-se gerando um conjunto de células que se multiplicam e formam um nódulo, isto é, uma metástase hepática. Em resumo, nódulos originados a partir de células que tiveram a capacidade de sair do local inicial, ganhar a circulação, sair da circulação e crescer em outro órgão distante são chamados de metástases.

A disseminação por implantes ocorre a partir do desprendimento de células neoplásicas da superfície do tumor em “ambiente” propício para a proliferação e crescimento celular, como nas cavidades peritoneal e pleural. Conhecer a história natural da doença significa determinar o perfil esperado de comportamento biológico para cada tipo de tumor e para isso temos que levar em conta os mecanismos esperados de disseminação de cada tipo de tumor, assim, podemos antever o risco de progressão local e disseminação, o que nos permite organizar uma estratégia de diagnóstico e estadiamento (avaliação da extensão da doença), fundamentais para o estabelecimento da proposta terapêutica.

Texto: Prof. Dr. Fábio Ferreira
Fazer uma biópsia significa retirar material para determinar as características do tumor, passo fundamental para a escolha da melhor forma de tratamento. O material retirado é enviado para o setor de patologia e passa por um processo específico para a preparação de lâminas que serão visualizadas no microscópio por um médico patologista.

O tipo de biópsia e o tipo de anestesia dependem da localização do tumor e da suspeita clínica. Assim, a biópsia pode ser feita de diferentes maneiras: através da remoção de um fragmento de área suspeita durante um exame de endoscopia ou colonoscopia; através de agulhas especiais; através de incisões cirúrgicas. Em situações particulares, pode até ser necessária uma cirurgia maior para que se consiga um diagnóstico adequado.

Os principais tipos de biópsias são: excisional, incisional e com agulha. A biópsia excisional é aquela na qual toda a lesão é removida no procedimento, sendo indicada para tumores pequenos e superficiais. Nas biópsias incisionais, indicadas para tumores maiores e profundos, remove-se um fragmento da lesão através de incisão cirúrgica. Nas biópsias por agulha, o material é conseguido através de punção, sem cirurgia.

Nas biópsias abertas (excisionais e incisionais), alguns cuidados técnicos devem ser respeitados a fim de minimizar o risco de disseminação local de doença e não prejudicar a cirurgia definitiva. Nos membros, a incisão deve ser longitudinal, ou seja, no sentido das fibras musculares, pois, durante a cirurgia definitiva, toda a cicatriz deverá ser removida com a peça.

As biópsias por agulha são divididas em 2 grupos: punção aspirativa com agulha fina (PAAF), na qual se obtém material para avaliação do aspecto das células; e biópsia por agulha grossa, a partir da qual se obtém fragmentos de tecido. Em algumas situações, a biópsia deve ser orientada por exame de imagem (tomografia computadorizada ou ultrassonografia), afim de que o local de retirada de material seja mais precisamente identificado.

O tipo de biópsia para cada situação deve ser escolhido pelo especialista, levando-se em conta a suspeita clínica e o plano de tratamento. O resultado da biópsia pode levar alguns dias, pois podem ser necessárias técnicas especiais de preparação do material para que o resultado seja conclusivo.

Texto: Dr. Fábio de Oliveira Ferreira
Estadiamento é um termo muito usado em oncologia e pode ser entendido como classificação da extensão da doença. “Estadiar” consiste em avaliar a extensão da doença em relação ao órgão de origem, isto é, avaliar qual a extensão de comprometimento do órgão no qual o tumor teve início e avaliar se a doença se espalhou além do local de origem. Em todos os pacientes, é fundamental considerar a história clínica (queixas, sintomas, antecedentes pessoais e familiares) e o exame físico. Outro ponto importante é direcionar a investigação segundo a história natural da doença, ou seja, investigar outros locais do organismo que sabidamente têm risco de conter células do tumor inicial. Vamos exemplificar com o câncer do intestino grosso para facilitar o entendimento. Os tumores do intestino grosso crescem localmente infiltrando a espessura da parede intestinal; quanto maior a invasão da parede, maior a extensão local da doença. Células podem sair do tumor e se espalhar para os gânglios locais ou caírem na corrente sangüínea e acometerem outros órgãos, gerando as chamadas metástases. Nos tumores do intestino grosso, o aparecimento de metástases a partir da corrente sangüínea é mais comum no fígado e nos pulmões (história natural da doença), razão pela qual o estadiamento deve incluir exames de avaliação desses órgãos. Os exames complementares (exames realizados com a finalidade de complementar a avaliação clínica) e o exame histopatológico (resultado da biópsia que define as características do tumor), são informações necessárias para complementar o estadiamento.

O chamado sistema TNM é uma classificação mundialmente aceita para descrever a extensão anatômica de doença. A letra T de Tumor primário, representa o tamanho ou a profundidade de invasão, a depender do órgão em questão; a letra N serve para classificar a presença ou ausência de linfoNodos regionais (gânglios localizados nas imediações do órgão acometido pelo tumor); a letra M determina a presença ou ausência de Metástases à distância. Combinações dos componentes T, N, M permitem o agrupamento dos pacientes em categorias de risco, permitindo avaliar quais pacientes têm maior ou menor chance de cura e quais podem precisar de associações de tratamento (cirurgia, quimioterapia, imunoterapia, terapia alvo, hormonioterapia, radioterapia e outros) . Por essa razão, utilizar a classificação TNM é muito importante para que se possa seguir as orientações de tratamento para cada subgrupo de pacientes com o objetivo de conseguir as melhores taxas de cura e controle da doença.

Texto: Prof. Dr. Fábio Ferreira
De posse do diagnóstico anatomopatológico e do estadiamento, o cirurgião é capaz de estabelecer a seqüência de armas terapêuticas a serem utilizadas. Em linhas gerais, pacientes cujo diagnóstico foi realizado em fase inicial de doença, isto é, em estádios clínicos iniciais, podem ser abordados primariamente por cirurgia. A análise dos dados anatomopatológicos e de outros fatores prognósticos relevantes permitirá o julgamento da necessidade de tratamentos complementares (quimioterapia, radioterapia, hormonioterapia, imunoterapia, etc). Para os pacientes cujo estadiamento clínico revela doença em estágio intermediário de progressão, a utilização do arsenal terapêutico mencionado precedendo a intervenção cirúrgica, de forma isolada ou em associações, tem o racional de aumentar as taxas de controle local e algumas vezes diminuir a extensão da cirurgia sem prejuízo da radicalidade. Para os pacientes com diagnóstico de doença em fase avançada, procura-se determinar se o tratamento tem intenção curativa ou paliativa e então pode-se delinear a estratégia de tratamento que poderá implicar na utilização de recursos terapêuticos não cirúrgicos nas fases que antecedem e/ou sucedem a operação.

Alguns conceitos são importantes para a compreensão da linguagem oncológica utilizada no planejamento terapêutico. Tratamento neoadjuvante refere-se à instituição de terapêutica na fase que precede a modalidade principal de tratamento para a patologia em questão; tratamento adjuvante refere-se à instituição de terapêutica na fase que sucede a modalidade principal de tratamento, desde que não haja doença residual e/ou presença de metástases após essa última. Por exemplo, no tratamento com intenção curativa do câncer de reto diagnosticado em estádios intermediários, é prática atual a utilização de radioterapia associada a quimioterapia em fase pré-operatória (radioquimioterapia neoadjuvante), seguida de cirurgia, seguida de quimioterapia, na ausência de doença residual (quimioterapia adjuvante). No entanto, se após a cirurgia do tumor primário verifica-se a presença de doença residual, por exemplo na forma de carcinomatose peritoneal (implantes tumorais no peritônio) ou metástases hepáticas (nódulos tumorais no fígado) não ressecáveis, a quimioterapia realizada após a operação não teria caráter de complementação (adjuvante), mas sim terapêutico.

Texto: Prof. Dr. Fábio Ferreira
O endométrio é o tecido de revestimento interno do útero que ao ser estimulado pelos hormônios sexuais femininos de forma cíclica, sofre um processo de proliferação e descamação (menstruação). O câncer do endométrio é atualmente o tumor ginecológico mais frequente nos países desenvolvidos e sua maior incidência ocorre em mulheres após a menopausa.

Os fatores de risco para o câncer de endométrio estão relacionados com a estimulação do endométrio pelo hormônio estrogênio: primeira menstruação em idade precoce, menopausa tardia, nenhuma gestação prévia, reposição hormonal com estrogênio e sem progesterona, obesidade, síndrome metabólica e diabetes tipo 2. O tamoxifeno é uma medicação bastante utilizada no tratamento do câncer de mama que aumenta o risco de câncer de endométrio. Na mama, o tamoxifeno bloqueia os receptores de estrógenos, mas no útero ele tem efeito contrário, estimulando os receptores hormonais, fazendo o endométrio crescer. Fatores genéticos também influenciam o risco de câncer de endométrio, especialmente nas famílias com síndrome de Lynch, uma condição genética de predisposição ao câncer ao câncer de intestino, endométrio, ovário, trato urinário e outros.

O principal sinal de alerta é o sangramento vaginal após a menopausa, mas podem ocorrer outros sintomas como cólicas, dor pélvica e secreção vaginal aquosa marrom avermelhada. Nas mulheres que ainda não entraram em menopausa, o câncer de endométrio é mais difícil de ser diagnosticado, mas pode se manifestar com irregularidade dos ciclos e sangramento menstrual abundante. Não estão estabelecidos exames de rastreamento ou prevenção para câncer de endométrio, mas na presença de sintomas suspeitos ou de alterações em exames de imagem de rotina (pólipos e espessamento endometrial), deve ser feita a investigação. Os principais métodos para diagnóstico são a histeroscopia (exame endoscópico do útero) com biópsia e a curetagem uterina.

Após diagnóstico confirmado pela biópsia são realizados exames de imagem para estadiamento, que avaliam a condição local do tumor e o risco de extensão para outros locais do corpo. Esses exames geralmente incluem a tomografia computadorizada do tórax e do abdome superior e ressonância magnética da pelve. O tratamento inicial na maioria dos casos de câncer de endométrio é a cirurgia, exceto nos casos com metástases à distância ou doença local extensa que não é passível de ressecção cirúrgica. A cirurgia inclui a ressecção do corpo e colo uterino, trompas, ovários e gânglios linfáticos. A depender dos achados anatomopatológicos da cirurgia, pode ser necessária a complementação com radioterapia e/ou quimioterapia para reduzir o risco de recorrência do câncer.

Apesar de menos frequente antes da menopausa, mulheres jovens que desejam preservar a fertilidade também podem desenvolver câncer de endométrio. Nesses casos, existe a opção de tratamento conservador através de bloqueio hormonal com progestágenos em alta dose, desde que sejam tumores muito iniciais e com baixo risco de recorrência. Após completar a gestação e constituição da prole, deve ser realizada a retirada do útero, que é o tratamento padrão. Nos casos de recorrência locorregional ou de doença metastática, deve ser decidido em equipe multidisciplinar (cirurgião, oncologista clinico e radioterapêuta) qual a melhor estratégia de tratamento. A indicação de cirurgia para resgate vai depender do local acometido, se a recidiva é única ou multifocal e quais tratamentos já foram realizados previamente. Hormonioterapia e imunoterapia podem ser utilizadas em casos selecionados, geralmente quando não há a alternativa de cirurgia, quimioterapia ou radioterapia.

Texto: Dra. Lillian Yuri Kumagai
Os sarcomas uterinos são tumores raros que acometem a camada muscular ou estromal do corpo do útero. Existem vários tipos de sarcomas, com características e comportamentos distintos, que recebem nomes específicos: leiomiosarcomas, sarcomas do estroma endometrial e adenosarcomas. Apesar do nome, o chamado “carcinosarcoma” não é um sarcoma verdadeiro, sendo uma variante do câncer de endométrio (adenocarcinoma) e deve ser tratado separadamente.

Podem ser considerados fatores de risco para sarcomas uterinos a exposição prévia a radioterapia pélvica e o uso de tamoxifeno (medicação muito utilizada no tratamento do câncer de mama).

Sangramento menstrual anormal, sangramento após a menopausa e aumento do volume abdominal são sintomas relacionados aos sarcomas uterinos. Em pacientes assintomáticas, a suspeita pode ocorrer por alteração nos exames de imagem de rotina (massas, nódulos, pólipos, “miomas” ou útero de grande volume). Os sarcomas são frequentemente diagnosticados após cirurgia feita para tratamento de um suposto mioma ou após histerectomias realizadas por motivo de sangramento não controlado clinicamente, "miomas" ou aumento de volume uterino. Ou seja, algumas vezes pode ocorrer um erro de diagnóstico e um sarcoma uterino ser interpretado inicialmente como um mioma do útero.

Confirmando o diagnóstico de sarcoma, devem ser realizados exames de imagem para estadiamento, que avaliam a extensão local da doença e presença de metástases para outros locais do corpo. Esses exames geralmente incluem tomografia computadorizada do tórax e abdome superior e ressonância magnética da pelve.

O tratamento dos sarcomas uterinos inicialmente é cirúrgico, exceto nos casos com metástases à distância ou doença local extensa que não permita uma cirurgia adequada. A cirurgia inclui a remoção do corpo e colo uterino, trompas e ovários. A complementação com radioterapia e/ou quimioterapia para reduzir o risco de recorrência do câncer deve ser discutida e individualizada caso a caso.

A preservação de fertilidade em pacientes jovens sem prole constituída pode ser discutida em casos iniciais, mas deve levar em consideração a agressividade do tipo de sarcoma e a influência hormonal no risco de recidiva. Na recorrência locorregional ou doença metastática, deve ser discutida a melhor estratégia de tratamento em equipe multidisciplinar (cirurgião, oncologista clinico e radioterapêuta). A indicação de cirurgia depende do tipo de sarcoma, do local acometido, se a lesão é única ou multifocal e quais tratamentos foram realizados previamente. Bloqueadores hormonais são uma boa opção no caso de sarcomas que apresentam receptores de hormônios (estrógeno e progesterona), em especial os sarcomas de estroma endometrial de baixo grau.

Texto: Dra. Lillian Yuri Kumagai

Tumores do Aparelho Digestivo

Em Breve.
Em Breve.
O câncer pode se espalhar por diferentes mecanismos. Os “caminhos” de progressão da doença são chamados de “vias de disseminação” e recebem nomes específicos segundo a maneira como ocorrem.

Na disseminação por continuidade, o tumor invade diretamente os órgãos e estruturas contínuas ao órgão sede do tumor primário. Por exemplo, quando um tumor primário do reto cresce e invade o ânus, ocorre disseminação por continuidade, pois o reto e o ânus são órgãos contínuos, que se comunicam internamente.

Na disseminação por contigüidade, a invasão por progressão local ocorre em direção aos órgãos e estruturas contíguas ao órgão sede do tumor primário. No exemplo do câncer do reto, a invasão da vagina, na mulher, ou da próstata, no homem, são exemplos de disseminação por contigüidade. Estes órgãos não se comunicam internamente, mas estão em contato pela superfície externa.

Na disseminação por via linfática, conjuntos de células tumorais alcançam os capilares linfáticos (pequenos vasos que conduzem linfa) dentro do tumor e migram por esses canais alcançando os gânglios da região. Seguindo esse caminho, podem progredir e comprometer gânglios mais distantes do local de origem. No exemplo do câncer de reto, nas fases iniciais de progressão pode-se verificar a presença de células de tumor nos canais linfáticos dentro do tumor, sem que haja comprometimento dos gânglios. Com a progressão da doença, as células atingem os gânglios ao redor do reto e posteriormente podem migrar para gânglios distantes, em direção à origem dos vasos sangüíneos responsáveis pela irrigação do órgão. Em fase ainda mais avançada, pode-se verificar a presença de células de tumor em gânglios bem distantes do local de origem.

Na disseminação por via sangüínea (hematogênica), conjuntos de células de tumor atingem pequenas veias dentro do tumor e posteriormente ganham a corrente sangüínea alcançando a circulação. No processo de transformação de uma célula normal em uma célula tumoral, as células sofrem alterações que dão a elas a capacidade de ultrapassar a membrana interna dos vasos sangüíneos à distância do tumor, saindo da circulação e dando origem a um foco de tumor com células filhas que, ao multiplicarem darão origem a nódulos de células tumorais, chamados de metástase. No exemplo do câncer de reto, conjuntos de células tumorais atingem pequenas veias dentro do tumor, passam para a corrente sangüínea, passam novamente para os pequenos vasos de órgãos distantes do tumor (mais freqüentemente no fígado) e ao saírem dos pequenos vasos desenvolvem-se gerando um conjunto de células que se multiplicam e formam um nódulo, isto é, uma metástase hepática. Em resumo, nódulos originados a partir de células que tiveram a capacidade de sair do local inicial, ganhar a circulação, sair da circulação e crescer em outro órgão distante são chamados de metástases.

A disseminação por implantes ocorre a partir do desprendimento de células neoplásicas da superfície do tumor em “ambiente” propício para a proliferação e crescimento celular, como nas cavidades peritoneal e pleural.

Conhecer a história natural da doença significa determinar o perfil esperado de comportamento biológico para cada tipo de tumor e para isso temos que levar em conta os mecanismos esperados de disseminação de cada tipo de tumor, assim, podemos antever o risco de progressão local e disseminação, o que nos permite organizar uma estratégia de diagnóstico e estadiamento (avaliação da extensão da doença), fundamentais para o estabelecimento da proposta terapêutica.

Texto: Prof. Dr. Fábio Ferreira
Fazer uma biópsia significa retirar material para determinar as características do tumor, passo fundamental para a escolha da melhor forma de tratamento. O material retirado é enviado para o setor de patologia e passa por um processo específico para a preparação de lâminas que serão visualizadas no microscópio por um médico patologista.

O tipo de biópsia e o tipo de anestesia dependem da localização do tumor e da suspeita clínica. Assim, a biópsia pode ser feita de diferentes maneiras: através da remoção de um fragmento de área suspeita durante um exame de endoscopia ou colonoscopia; através de agulhas especiais; através de incisões cirúrgicas. Em situações particulares, pode até ser necessária uma cirurgia maior para que se consiga um diagnóstico adequado.

Os principais tipos de biópsias são: excisional, incisional e com agulha. A biópsia excisional é aquela na qual toda a lesão é removida no procedimento, sendo indicada para tumores pequenos e superficiais. Nas biópsias incisionais, indicadas para tumores maiores e profundos, remove-se um fragmento da lesão através de incisão cirúrgica. Nas biópsias por agulha, o material é conseguido através de punção, sem cirurgia.

Nas biópsias abertas (excisionais e incisionais), alguns cuidados técnicos devem ser respeitados a fim de minimizar o risco de disseminação local de doença e não prejudicar a cirurgia definitiva. Nos membros, a incisão deve ser longitudinal, ou seja, no sentido das fibras musculares, pois, durante a cirurgia definitiva, toda a cicatriz deverá ser removida com a peça.

As biópsias por agulha são divididas em 2 grupos: punção aspirativa com agulha fina (PAAF), na qual se obtém material para avaliação do aspecto das células; e biópsia por agulha grossa, a partir da qual se obtém fragmentos de tecido. Em algumas situações, a biópsia deve ser orientada por exame de imagem (tomografia computadorizada ou ultrassonografia), afim de que o local de retirada de material seja mais precisamente identificado.

O tipo de biópsia para cada situação deve ser escolhido pelo especialista, levando-se em conta a suspeita clínica e o plano de tratamento.

O resultado da biópsia pode levar alguns dias, pois podem ser necessárias técnicas especiais de preparação do material para que o resultado seja conclusivo.

Texto: Dr. Fábio de Oliveira Ferreira
Estadiamento é um termo muito usado em oncologia e pode ser entendido como classificação da extensão da doença. “Estadiar” consiste em avaliar a extensão da doença em relação ao órgão de origem, isto é, avaliar qual a extensão de comprometimento do órgão no qual o tumor teve início e avaliar se a doença se espalhou além do local de origem. Em todos os pacientes, é fundamental considerar a história clínica (queixas, sintomas, antecedentes pessoais e familiares) e o exame físico. Outro ponto importante é direcionar a investigação segundo a história natural da doença, ou seja, investigar outros locais do organismo que sabidamente têm risco de conter células do tumor inicial. Vamos exemplificar com o câncer do intestino grosso para facilitar o entendimento. Os tumores do intestino grosso crescem localmente infiltrando a espessura da parede intestinal; quanto maior a invasão da parede, maior a extensão local da doença. Células podem sair do tumor e se espalhar para os gânglios locais ou caírem na corrente sangüínea e acometerem outros órgãos, gerando as chamadas metástases. Nos tumores do intestino grosso, o aparecimento de metástases a partir da corrente sangüínea é mais comum no fígado e nos pulmões (história natural da doença), razão pela qual o estadiamento deve incluir exames de avaliação desses órgãos. Os exames complementares (exames realizados com a finalidade de complementar a avaliação clínica) e o exame histopatológico (resultado da biópsia que define as características do tumor), são informações necessárias para complementar o estadiamento.

O chamado sistema TNM é uma classificação mundialmente aceita para descrever a extensão anatômica de doença. A letra T de Tumor primário, representa o tamanho ou a profundidade de invasão, a depender do órgão em questão; a letra N serve para classificar a presença ou ausência de linfoNodos regionais (gânglios localizados nas imediações do órgão acometido pelo tumor); a letra M determina a presença ou ausência de Metástases à distância. Combinações dos componentes T, N, M permitem o agrupamento dos pacientes em categorias de risco, permitindo avaliar quais pacientes têm maior ou menor chance de cura e quais podem precisar de associações de tratamento (cirurgia, quimioterapia, imunoterapia, terapia alvo, hormonioterapia, radioterapia e outros) . Por essa razão, utilizar a classificação TNM é muito importante para que se possa seguir as orientações de tratamento para cada subgrupo de pacientes com o objetivo de conseguir as melhores taxas de cura e controle da doença.

Texto: Prof. Dr. Fábio Ferreira
De posse do diagnóstico anatomopatológico e do estadiamento, o cirurgião é capaz de estabelecer a seqüência de armas terapêuticas a serem utilizadas. Em linhas gerais, pacientes cujo diagnóstico foi realizado em fase inicial de doença, isto é, em estádios clínicos iniciais, podem ser abordados primariamente por cirurgia. A análise dos dados anatomopatológicos e de outros fatores prognósticos relevantes permitirá o julgamento da necessidade de tratamentos complementares (quimioterapia, radioterapia, hormonioterapia, imunoterapia, etc). Para os pacientes cujo estadiamento clínico revela doença em estágio intermediário de progressão, a utilização do arsenal terapêutico mencionado precedendo a intervenção cirúrgica, de forma isolada ou em associações, tem o racional de aumentar as taxas de controle local e algumas vezes diminuir a extensão da cirurgia sem prejuízo da radicalidade. Para os pacientes com diagnóstico de doença em fase avançada, procura-se determinar se o tratamento tem intenção curativa ou paliativa e então pode-se delinear a estratégia de tratamento que poderá implicar na utilização de recursos terapêuticos não cirúrgicos nas fases que antecedem e/ou sucedem a operação.

Alguns conceitos são importantes para a compreensão da linguagem oncológica utilizada no planejamento terapêutico. Tratamento neoadjuvante refere-se à instituição de terapêutica na fase que precede a modalidade principal de tratamento para a patologia em questão; tratamento adjuvante refere-se à instituição de terapêutica na fase que sucede a modalidade principal de tratamento, desde que não haja doença residual e/ou presença de metástases após essa última. Por exemplo, no tratamento com intenção curativa do câncer de reto diagnosticado em estádios intermediários, é prática atual a utilização de radioterapia associada a quimioterapia em fase pré-operatória (radioquimioterapia neoadjuvante), seguida de cirurgia, seguida de quimioterapia, na ausência de doença residual (quimioterapia adjuvante). No entanto, se após a cirurgia do tumor primário verifica-se a presença de doença residual, por exemplo na forma de carcinomatose peritoneal (implantes tumorais no peritônio) ou metástases hepáticas (nódulos tumorais no fígado) não ressecáveis, a quimioterapia realizada após a operação não teria caráter de complementação (adjuvante), mas sim terapêutico.

Texto: Prof. Dr. Fábio Ferreira
Em Breve.


Tumores de Pulmão e Pleura



Sarcomas



Tumores de Pele



Mama



Tumores Ginecológicos

Em Breve.
Em Breve.